sexta-feira, 27 de março de 2015

30% das viaturas da PM estão paradas ou rodam com falhas


OPERACAO POLICIA MILITAR


Problema teria começado há um ano, quando Estado encerrou contrato com empresa de manutenção

Um ano após o encerramento do contrato que garantia a manutenção de viaturas, a Polícia Militar (PM) tem enfrentado dificuldades para fazer consertos e manter os veículos circulando. Segundo a Associação dos Praças Militares e Bombeiros Militares de Minas Gerais (Aspra-MG), cerca de 30% dos carros da corporação estão parados nas oficinas ou rodam com falhas mecânicas. A falta de recursos dos batalhões para os reparos seria a causa do problema, segundo a entidade e servidores ouvidos pela reportagem. A situação, ainda segundo eles, se agravou neste ano por causa da demora na aprovação do Orçamento do Estado, realizada apenas nesta quinta.

“Uma das principais deficiências de estrutura do nosso batalhão, hoje, está relacionada ao número de viaturas quebradas. Desde meados do ano passado, a gente vem sofrendo para consertá-las. Não tenho estatísticas pontuais, mas cerca de 15% dos meus carros não estão rodando por falta de manutenção. Isso dificulta muito o nosso trabalho, pois, em certos lugares, é impossível fazer um patrulhamento sem a viatura”, disse o subcomandante de um batalhão da capital.

O presidente da Aspra, sargento Marco Antônio Bahia, acredita que das 11 mil viaturas de Minas, ao menos 3.300 (30%) estão comprometidas por falta de manutenção. “Os problemas são variados. Motor, pneu, vela”, disse. Segundo ele, a dificuldade começou no ano passado, quando o governo encerrou o contrato com a empresa responsável pela manutenção.

Na época, O TEMPO mostrou o rompimento do contrato. A especulação, então, era que a intenção seria de economizar recursos. Agora, diante das dificuldades, o comando da polícia estaria estudando a retirada da responsabilidade dos batalhões e a volta do serviço prestado por uma empresa licitada. A intenção teria sido comunicada à Aspra pelo chefe do Estado-Maior da Polícia Militar, coronel Marco Antônio Bicalho, em uma reunião no mês passado.

“Ele nos disse que a intenção era fazer uma nova licitação, para consertar as viaturas”, completou Bahia. A assessoria de imprensa da PM declarou não ter conhecimento de tal reunião.

Sem verba. Sem a empresa, os batalhões recebem um crédito periódico para a manutenção de veículos. A corporação não informa o valor dos repasses, mas, segundo a Aspra, eles variam entre R$ 1.000 e R$ 5.000 ao mês.

Policiais ouvidos pela reportagem reclamam que o valor é insuficiente. “Mesmo com cada batalhão tendo oficina, o serviço fica sobrecarregado, e não há dinheiro para todas as peças. Uma unidade recebe R$ 1.000 por mês para esses consertos. Um valor irrisório para o pneu de uma Blazer, por exemplo”.
‘Temos a melhor estrutura da nossa história’, defende major

Diante da dificuldade na manutenção de veículos, relatada por comandantes da Polícia Militar (PM), a assessoria de imprensa da corporação defendeu que Minas “tem hoje a maior estrutura em toda a história da instituição”. Atualmente, são 45 mil policiais e 11 mil viaturas. A idade média da frota é de 3,6 anos, segundo a PM.

“Hoje temos uma frota jovem, que não demanda tanta manutenção. A média é de 10% da frota em reparo por dia”, declarou o major Gilmar Luciano, assessor da PM, que disse não haver demora na manutenção de viaturas. Ele ainda explicou que, no caso do batalhão não dar conta do reparo, o caso é repassado à diretoria de Logística, que passa a ser responsável pelo reparo ou repasse de verba.

Ele defendeu ainda as rondas a pé, base da polícia comunitária, e também a cavalaria, composta atualmente por 150 cavalos no Estado.
Megaoperação no Estado
Evidência
. A PM realizou nesta quinta a operação Evidência. Segundo o major Gilmar Luciano, essa foi a maior ação já realizada simultaneamente em todas as regiões do Estado e serviu para “mostrar sua capacidade de atuação”.

Atuação. O objetivo era cumprir mandados de busca e apreensão, fazer incursões em áreas de alta de criminalidade, intensificar o policiamento nos acessos ao Estado, dentre outros.

Prévia. Em balanço preliminar, a corporação indicou que houve prisões e apreensões de drogas e armas. Em Vespasiano, na região metropolitana, e outras 22 cidades, 16 pessoas foram presas. O resultado final será apresentado hoje.
Criminalidade
De 2010 para 2014 (de janeiro a novembro), os crimes violentos subiram de 57,5 mil para 94,7 mil, um aumento de 64,5%, segundo o Estado. Para o sociólogo Moisés Gonçalves, a segurança pública não pode ser entendida só como um problema de polícia. “A polícia é a que recebe o maior orçamento da área, mas ainda assim só aumenta a criminalidade”.
Realidade
Neste mês, O TEMPO tem feito uma série de reportagens mostrando o aumento da criminalidade, os investimentos feitos em segurança pública no Estado e a maneira como é executado o orçamento da Polícia Militar. A Polícia Civil também foi tema e hoje sofre com falta de estrutura e com um déficit de 7.500 profissionais

Fonte: Jornal Super

 

 

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