sexta-feira, 20 de março de 2015

Mineira encontrada morta na Espanha não poderá ser enterrada no Brasil

O corpo da brasileira Christiana Ferreira da Silva, de 25 anos, de Belo Horizonte, deve ser enterrado na Espanha, onde foi encontrada morta há cerca de um mês. O motivo é a falta de recursos da família para realizar o traslado e a impossibilidade de o transporte ser financiado pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty).
A jovem, que morava na Europa há sete anos, foi encontrada morta na cidade de Valência, onde vivia recentemente e divida um apartamento com outra brasileira. Essa jovem seria de Vitória, e foi identificada apenas como "Mônica" pela família. As causas da morte ainda não foram esclarecidas e a falta de informações preocupa os familiares de Christiana, que ainda não sabem como irão se despedir dela. O Itamaray informou que recebeu a notícia da morte da jovem no dia 25 de fevereiro. 
"Ainda não fizeram a perícia do corpo dela ainda, está há um mês na geladeira. Nos ligaram ontem do consulado dizendo que o corpo poderia ser enterrado lá na Espanha, porque o Itamaraty não tem verba para fazer o traslado. E essa 'Mônica' mal nos responde, só fala quando quer, e ficou com todas as coisas da minha irmã. A gente não tem nada dela pra poder se despedir", conta a irmã de Christiana, Flávia Ferreira, de 31 anos.                                           

Christiana
A assessoria do Itamaraty esclareceu que o órgão não tem autorização para arcar com os custos do traslado de brasileiros que estão no exterior, e que os custos teriam que ser arcados pelo próprio brasileiro ou, em caso de morte, pela família.
"A gente não tem dinheiro pra trazer ela pra cá. E descobrimos só depois que ela tinha tentado suicídio lá, e essa 'Mônica' não falou nada com a gente, só disse que ela estava no hospital porque tinha batido a cabeça. Isso foi em outubro ou novembro do ano passado, e ela ficou internada três meses numa clínica psiquiátrica e passou a tomar remédios controlados por causa disso. E a gente não estava sabendo de nada. Aí no dia da morte, ela saiu e não apareceu mais. Só encontraram o corpo dela e nos procuraram porque tinha o documento dela. É tudo o que sabemos", conta ainda a irmã.
Flávia morou na Itália por cerca de oito anos, e Christiana morava com ela no início de sua chegada a Europa, mas depois ela foi morar na Espanha. Ela costumava sempre manter contato com a família e passava os aniversários com a irmã, que voltou da Itália para o Brasil há cerca de nove meses.
A morte da brasileira permanece um mistério. A família também não sabe como andam as investigações em Valência, mas segundo Flávia, "Mônica" continua usando as coisas de Christiana e tocando a vida normalmente na cidade. "O consulado também nos disse que para pedir a investigação da 'Mônica' precisamos ir à Polícia Federal. Christiana também tinha um dinheiro no banco lá, e nós não sabemos de nada sobre isso. Ninguém nos fala nada", conta Flávia. 
Por meio de nota, o Itamaraty enfatizou a impossibilidade de arcar com os custos do traslado. Confira, na íntegra:
"O Itamaraty informa que existem limites para os desembolsos financeiros da assistência consular oferecida pelo Governo brasileiro. O Itamaraty não pode assumir despesas e dívidas de qualquer tipo em nome de um cidadão no exterior, portanto, os custos de consultas médicas, internações e traslado no caso de problemas de saúde devem ser arcados pelo próprio viajante. Deste modo, é altamente recomendável contratar um seguro de saúde internacional antes de viajar. Mesmo havendo limites para desembolsos financeiros os postos da rede consular buscam formas alternativas de auxiliar os brasileiros em necessidade. No caso de morte de um cidadão no exterior, o Itamaraty não pode arcar com os custos do transporte do corpo, mas poderá prestar a assistência necessária para que a família realize o traslado".

Nenhum comentário:

Postar um comentário